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Motivos que levam as pessoas a gastar mais do que ganham e se endividar

Quem investe seus conhecimentos para controlar o orçamento, tem maior chance de se dar bem na vida e realizar sonhos Quem investe seus conhecimentos para controlar o orçamento, tem maior chance de se dar bem na vida e realizar sonhos Divulgação

O que será que leva as pessoas ao endividamento e à inadimplência? Basicamente, pode-se dizer que é gastar mais do que se ganha. Por trás dessa situação existe o descontrole financeiro e o resultado é milhões de brasileiros com dívidas.

Muitos relacionam a crise econômica como o principal problema. Com certeza, isso tem reflexo nos números, mas repare que, mesmo antes desse período de dificuldades, a quantidade de inadimplentes já era alta. Enfim, existem outros fatores que geram essa situação e, para melhor entendimento, vamos detalhar os principais motivos que levam as pessoas a gastar mais do que ganham:

Falta de educação financeira: as pessoas não conhecem a importância do dinheiro e as formas corretas de utilizá-lo, então, ficam a um passo das dívidas. Isso acontece com a maior parte da população, pois nem os pais e nem as escolas ensinam para as crianças e adolescentes que ficam expostos a sociedade do consumo, na qual esta informação não é interessante. O caminho para sair desta situação é buscar cursos e livros sobre o tema. Também é fundamental a preocupação com as crianças, ensinando de forma lúdica e solicitando a inserção deste nas escolas.

Falta de planejamento: as pessoas não sabem para onde vai o dinheiro que recebem, não possuem controle. Ganham e gastam sem controle ou um controle superficial, não se dando conta que o descontrole financeiro acontece nos pequenos gastos. Para evitar que isso aconteça, o correto é uma caderneta diária com todos os gastos e uma planilha mensal por três meses, conhecendo, os seus verdadeiros números.

Marketing e publicidade: as ofertas de marketing e publicidade fazem as pessoas comprarem o que elas não precisam. Isso acontece diariamente por meio de ações expostas na televisão, nas ruas, no trabalho. As mensagens são muitas e as pessoas passam a acreditar que parte do que é oferecido é necessário. O caminho para evitar esse problema é não comprar por impulso; se questionar se realmente precisa do produto, qual a função que terá em sua vida, etc. Também é interessante deixar a compra para outro dia, quando terá refletido sobre o produto.

Crédito fácil: ferramentas de crédito, como empréstimos, crediários, financiamentos, limite do cheque especial ou pagar o mínimo de cartão de crédito já é uma forma de endividamento. O mercado oferece milhares de produtos de fácil acesso, contudo, os juros cobrados são abusivos e fazem que a inadimplência se torne alta. A solução é evitar esses meios. No caso de cartão de crédito, o ideal é ter só um, em caso de descontrole, até mesmo eliminar. Também é interessante não ter limite de cheque especial e evitar os empréstimos e crediários.

Parcelamentos: ao parcelar as compras, as pessoas não percebem que já estão se endividando. Para piorar, muitas vezes, o consumidor esquece-se de colocar esses valores no orçamento, o que compromete as finanças. Um parcelamento, é uma forma de crédito, você está usando um dinheiro que não possui para comprar um produto. Caso seja necessário parcelar, deverá constar no orçamento mensal da pessoa, que sempre que receber seus rendimentos, separa o valor para pagar a dívida. Também é interessante ter uma poupança, para os imprevistos.

Falta de sonhos: Se a pessoa não tem objetivos para o dinheiro, gastará de forma irresponsável, gerando o endividamento. Isso ocorre pela falta de capacidade das pessoas de sonharem, vivendo apenas o presente. Para sair deste problema, é recomendável fazer um exercício simples, refletir sobre seus sonhos e o que se quer para o futuro. Tendo estabelecido isso, deve cotar os valores e separar parte de seu dinheiro. Com isso em mente, será difícil cair nas armadilhas do consumismo.

Necessidade do status social: acreditar que consumir é importante para ser aceito socialmente faz as pessoas comprarem sem condições. Isso porque acreditam que possuir alguma coisa fará a diferença para os outros, e não o que ela realmente é. O consumo dessa maneira irá apenas suprir a dificuldade de relacionamento interpessoal. A solução para esta questão é ter objetivos claros e perceber que é mais importante ter conteúdo do que ter produto.

Ao citar estes erros que levam à inadimplência, não quer dizer que não existam outros, mas acredito que esses sete casos sejam vitais para que uma pessoa ou família se preocupar. Quem investe em seus conhecimentos, tem maior chance de se dar bem na vida e, quem tem a educação financeira como um requisito básico para se viver bem, certamente, poderá desfrutar muito melhor desta vida. Enfim, vamos todos investir na melhora financeira para dar sustentabilidade às nossas principais saúdes: física, mental e espiritual.


Reinaldo Domingos, educador financeiro, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros e autor do livro - Terapia Financeira.

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